ENTREVISTA

Sistema Campo Limpo recebe sobras

de agrotóxicos

Parceria entre IMA e inpEV coloca Minas Gerais em posição de destaque na destinação desses materiais

Depois de um período de adaptação das unidades de recebimento, hoje 103 centrais do Sistema Campo Limpo estão aptas a receber embalagens com sobras de agrotóxicos para a sua correta destinação. Como acontece há 16 anos com as embalagens vazias e tampas, os agricultores agora podem entregar esse material nas unidades licenciadas para o recebimento de sobras de todo o país.

 

Resultante de uma parceria entre o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e o inpEV, a implementação do projeto de recebimento de sobras foi particularmente bem-sucedida em Minas Gerais. Nataniel Diniz Nogueira, gerente de Defesa Sanitária Vegetal do IMA, fala sobre os benefícios dessa iniciativa.

Nataniel Diniz Nogueira, gerente de Defesa Sanitária Vegetal do IMA

Qual a participação do IMA-MG na preparação das centrais do Sistema Campo Limpo no estado para receber embalagens com sobras?

O IMA, no exercício de sua competência legal de controlar e fiscalizar o armazenamento, a comercialização, a utilização e a disposição de embalagens vazias bem como de restos de agrotóxicos e afins, utilizados nas pastagens e na proteção de florestas plantadas, está sempre atento para que as atividades agrícolas sejam executadas de acordo com as regras que valorizem a sustentabilidade ambiental.

Por isso, a instituição participa de várias etapas do processo, elaborando e divulgando procedimentos de devolução de embalagens vazias como também dos produtos impróprios para uso, mediante orientação aos produtores rurais. Nesse aspecto, o inpEV se revela como importante parceiro, uma vez que representa um dos elos da cadeia – a indústria fabricante –, essencial para impulsionar esse sistema de logística reversa de embalagens vazias e impróprios para uso.

O que pode ser devolvido e qual o impacto ambiental da correta devolução de resíduos pós-consumo?

Todas as 66 unidades de recebimento existentes no estado de Minas Gerais encontram-se aptas e devidamente licenciadas para receber os agrotóxicos impróprios para uso entregues pelos produtores rurais

Nataniel Diniz Nogueira

De acordo com o art. 1º da Resolução Conama nº 465/2014, podem ser recebidas tanto as embalagens vazias de agrotóxicos e afins como também aquelas contendo resíduos, regularmente fabricados e comercializados, ou seja, os agrotóxicos impróprios para uso que tenham as seguintes características: estejam com data de validade vencida ou com embalagem avariada, como também agrotóxico dentro do prazo de validade que, por quaisquer motivos, o agricultor tenha interesse em devolver.

 

A correta devolução desse tipo de resíduo gera impacto ambiental altamente positivo porque os produtos impróprios para uso, ao serem devolvidos, terão destino seguro, de forma sustentável, anulando a possibilidade de passivo. Além de desonerar os agricultores de responsabilidades legais, essa iniciativa os coloca na categoria de produtores que executam as boas práticas agrícolas de produção.

Como avalia o status atual do recebimento deste tipo

de material? Quais os principais resultados?

Todas as 66 unidades de recebimento existentes no estado de Minas Gerais encontram-se aptas e devidamente licenciadas para receber os agrotóxicos impróprios para uso entregues pelos produtores rurais. Essa situação contribuiu para Minas Gerais se destacar no cenário nacional com a significativa quantidade de 23 toneladas desse tipo de resíduo entregues nos postos e centrais de recebimento distribuídos no Estado. Essa realidade mineira é um exercício bem-sucedido da política de ganhos mútuos, uma vez que facilita o processo de devolução e destinação adequada sob o ponto de vista legal e ambiental. Com esse procedimento, evita-se a notificação anteriormente feita para os fabricantes recolherem, além de encurtar o caminho e eximir de responsabilidades penais as partes envolvidas. Nesse aspecto, pode-se destacar o papel do IMA em notificar os agricultores e estes em acatarem a determinação legal de fazerem as respectivas entregas.

Quais os maiores desafios daqui para frente?

Considerando que todos os elos da cadeia produtiva já estão familiarizados com o procedimento, deve-se estimular cada parte a executar o seu papel a fim de manter a situação controlada, evitando-se a geração desse tipo de resíduo no campo. Tendo em vista as características geográficas e culturais do Estado, especialmente a concentração de pequenos agricultores que necessitam percorrer longas distâncias a fim de cumprirem sua obrigação legal, devemos valorizar a modalidade de recebimento itinerante para facilitar a entrega.

VEJA TAMBÉM NESTA EDIÇÃO

80
80

Sistema Campo Limpo recebe sobras de agrotóxicos

Sistema Campo Limpo recebe sobras

de agrotóxicos

Depois de um período de adaptação das unidades de recebimento, hoje 103 centrais do Sistema Campo Limpo estão aptas a receber embalagens com sobras de agrotóxicos para a sua correta destinação. Como acontece há 16 anos com as embalagens vazias e tampas, os agricultores agora podem entregar esse material nas unidades licenciadas para o recebimento de sobras de todo o país.

 

Resultante de uma parceria entre o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e o inpEV, a implementação do projeto de recebimento de sobras foi particularmente bem-sucedida em Minas Gerais. Nataniel Diniz Nogueira, gerente de Defesa Sanitária Vegetal do IMA, fala sobre os benefícios dessa iniciativa.

Qual a participação do IMA-MG na preparação das centrais do Sistema Campo Limpo no estado para receber embalagens com sobras?

O IMA, no exercício de sua competência legal de controlar e fiscalizar o armazenamento, a comercialização, a utilização e a disposição de embalagens vazias bem como de restos de agrotóxicos e afins, utilizados nas pastagens e na proteção de florestas plantadas, está sempre atento para que as atividades agrícolas sejam executadas de acordo com as regras que valorizem a sustentabilidade ambiental.

 

Por isso, a instituição participa de várias etapas do processo, elaborando e divulgando procedimentos de devolução de embalagens vazias como também dos produtos impróprios para uso, mediante orientação aos produtores rurais. Nesse aspecto, o inpEV se revela como importante parceiro, uma vez que representa um dos elos da cadeia – a indústria fabricante –, essencial para impulsionar esse sistema de logística reversa de embalagens vazias e impróprios para uso.

O que pode ser devolvido e qual o impacto ambiental da correta devolução de resíduos pós-consumo?

De acordo com o art. 1º da Resolução Conama nº 465/2014, podem ser recebidas tanto as embalagens vazias de agrotóxicos e afins como também aquelas contendo resíduos, regularmente fabricados e comercializados, ou seja, os agrotóxicos impróprios para uso que tenham as seguintes características: estejam com data de validade vencida ou com embalagem avariada, como também agrotóxico dentro do prazo de validade que, por quaisquer motivos, o agricultor tenha interesse em devolver.

 

A correta devolução desse tipo de resíduo gera impacto ambiental altamente positivo porque os produtos impróprios para uso, ao serem devolvidos, terão destino seguro, de forma sustentável, anulando a possibilidade de passivo. Além de desonerar os agricultores de responsabilidades legais, essa iniciativa os coloca na categoria de produtores que executam as boas práticas agrícolas de produção.

Como avalia o status atual do recebimento deste tipo de material? Quais os principais resultados?

Todas as 66 unidades de recebimento existentes no estado de Minas Gerais encontram-se aptas e devidamente licenciadas para receber os agrotóxicos impróprios para uso entregues pelos produtores rurais. Essa situação contribuiu para Minas Gerais se destacar no cenário nacional com a significativa quantidade de 23 toneladas desse tipo de resíduo entregues nos postos e centrais de recebimento distribuídos no Estado. Essa realidade mineira é um exercício bem-sucedido da política de ganhos mútuos, uma vez que facilita o processo de devolução e destinação adequada sob o ponto de vista legal e ambiental. Com esse procedimento, evita-se a notificação anteriormente feita para os fabricantes recolherem, além de encurtar o caminho e eximir de responsabilidades penais as partes envolvidas. Nesse aspecto, pode-se destacar o papel do IMA em notificar os agricultores e estes em acatarem a determinação legal de fazerem as respectivas entregas.

Quais os maiores desafios daqui para frente?

Considerando que todos os elos da cadeia produtiva já estão familiarizados com o procedimento, deve-se estimular cada parte a executar o seu papel a fim de manter a situação controlada, evitando-se a geração desse tipo de resíduo no campo. Tendo em vista as características geográficas e culturais do Estado, especialmente a concentração de pequenos agricultores que necessitam percorrer longas distâncias a fim de cumprirem sua obrigação legal, devemos valorizar a modalidade de recebimento itinerante para facilitar a entrega.