ENTREVISTA

Programa de Educação Ambiental Campo Limpo

Edição de 2019 traz conteúdos pedagógicos alinhados à Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e apresenta a proposta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para a comunidade escolar

Promover educação e conscientização ambiental, lançando mão de programas como o Programa de Educação Ambiental (PEA) Campo Limpo, é uma das responsabilidades compartilhadas entre todos os elos do Sistema Campo Limpo. Por isso, apresentar para as crianças e suas famílias o que o mundo está discutindo sobre a importância da produção e do consumo conscientes (traduzidos, por exemplo, na proposta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU - em especial o ODS 12) concretiza o compromisso do inpEV e do Sistema para um futuro melhor para as próximas gerações.

 

Aqui, a educadora e consultora educacional Julia Tomchinsky, uma das profissionais envolvidas na criação do conteúdo e metodologia de aplicação do PEA, conta em detalhes o que professores, alunos e comunidade do entorno das centrais de recebimento do Sistema Campo Limpo podem esperar do PEA em 2019.

Julia Tomchinsky, educadora e consultora Educacional

Qual a importância de iniciativas como o PEA para complementar a formação escolar?

Não há dúvidas que a Educação Ambiental é essencial para a formação de um cidadão crítico e responsável. O PEA tem disponibilizado às escolas um repertório de matérias que permite aos professores trabalhar, de forma criativa e com autonomia, uma série de conhecimentos, habilidades e atitudes fundamentais para que crianças e adolescentes reflitam sobre o contexto em que estão inseridos e, ao mesmo tempo, criem soluções para problemas identificados localmente. Outro aspecto diferencial do programa é o reconhecimento dos alunos como protagonistas e agentes de mobilização das famílias, de modo que sejam constituídas redes de parceria que articulem escola e comunidade do entorno por meio de ações de educação ambiental.

Como tem avaliado a trajetória do programa e a evolução para o formato atual?

De uma forma mais ampla, o PEA procura mostrar às crianças e aos adolescentes os benefícios socioambientais da gestão adequada de embalagens vazias, bem como os impactos negativos para a saúde do planeta quando isso não acontece

Julia Tomchinsky

Nos últimos anos o PEA elegeu o tema “Responsabilidade compartilhada na gestão dos resíduos sólidos” como eixo transversal para promover ações de educação ambiental nas escolas públicas. Ou seja, o foco do trabalho pedagógico é a corresponsabilização dos diferentes setores da sociedade em relação às questões ambientais que envolvem os resíduos sólidos. Em 2016, a proposta foi trabalhar esse tema sob a perspectiva da cidadania, trazendo, especificamente, o compromisso de cada um dos diversos atores da sociedade na gestão desses resíduos. Em 2017, o conteúdo focalizou o universo escolar, destacando o papel da escola na formação da consciência sobre direitos e responsabilidades ambientais. Em 2018, abordou a contribuição das famílias sobre o assunto, estimulando ações conjuntas entre o aluno e seus familiares, com apoio da escola. O plano deste ano é fortalecer esse macrotema, promovendo um recorte temático mais direcionado ao protagonismo do aluno no processo de destinação de embalagens vazias e resíduos sólidos na sociedade.

Quais as principais mudanças na metodologia do PEA este ano e quais os objetivos? Representam um avanço no sentido de conscientizar e estimular iniciativas dos participantes?

Em 2019, seguimos com uma metodologia ativa e que reconhece o estudante como protagonista dos processos de ensino-aprendizagem. Também seguimos com a intenção de oferecer um repertório de atividades e materiais lúdicos que permitem ao professor desenvolver um itinerário formativo que responda às curiosidades dos estudantes e esteja alinhado ao currículo do Ensino Fundamental. A principal mudança metodológica é o alinhamento com o referencial da Base nacional Curricular Comum (BNCC) para o letramento científico de turmas dos anos iniciais dos anos primários. Os principais objetivos são: promover competências em vistas da responsabilidade compartilhada pela gestão de embalagens vazias e demais resíduos sólidos produzidos em ambientes urbanos e rurais; estimular mudanças atitudinais e o protagonismo desse público para a não geração, a redução, a reutilização, a reciclagem e o descarte adequado de embalagens vazias e outros resíduos sólidos. De uma forma mais ampla, o PEA procura mostrar às crianças e aos adolescentes os benefícios socioambientais da gestão adequada de embalagens vazias, bem como os impactos negativos para a saúde do planeta quando isso não acontece.

De que forma o material reflete o alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e à Base Nacional Curricular Comum?

Todo o conteúdo dos textos de referência para os professores e sugestões de práticas para sala de aula estão alinhados com o referencial metodológico da BNCC para o letramento científico de turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental e compreendem quatro dimensões:

 

a) definição de problemas, com atividades que estimulem a criança observar o mundo a sua volta; fazer perguntas; planejar investigações; propor hipóteses etc.;

 

b) levantamento, análise e representação de dados, com atividades que estimulem a criança a realizar investigações; coletar e analisar os dados levantados; representar esses dados usando sistemas diversos; desenvolver soluções etc.;

 

c) comunicação de suas descobertas, com atividades que estimulem a criança relatar descobertas por meio de linguagens variadas; apresentar resultados de forma sistemática; participar de discussões; considerar contra-argumentos etc.;

 

d) intervenção na realidade, com atividades que estimulem a criança a promover mudanças que melhorem a qualidade de vida pessoal, coletiva e socioambiental e avaliar sua eficácia etc.

 

Além disso, os materiais do programa contribuem para efetivar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, sobretudo o ODS 12, que nos desafia a assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis, de modo a reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso até 2030.

Que benefícios esse alinhamento representa para escolas e para alunos?

Esse alinhamento vai fortalecer o trabalho pedagógico que deve ser desenvolvido pelo professor no decorrer do ano letivo, já que há sinergia e diálogo entre as atividades sugeridas pelo PEA e as orientações educacionais sugeridas pela BNCC. Por exemplo, a partir do trabalho com os materiais do programa, será possível desenvolver competências específicas da disciplina de Ciências da Natureza e competências gerais da Educação Básica propostas pela BNCC, como “exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções com base nos conhecimentos das diferentes áreas”. No entanto, é importante frisar que a proposta do PEA é abordar a Educação Ambiental de forma interdisciplinar e crítica, e não de maneira fragmentada e compartimentalizada em disciplinas. A intenção é justamente convocar as diferentes áreas do conhecimento para “construir propostas coletivas para um consumo mais consciente e criar soluções tecnológicas para o descarte adequado e a reutilização ou reciclagem de materiais consumidos na escola e/ou na vida cotidiana.”, sendo essa uma habilidade recomenda pela BNCC para turmas de 4º e 5º anos.

 

 

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Edição de 2019 traz conteúdos pedagógicos alinhados à Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e apresenta a proposta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para a comunidade escolar

 

Promover educação e conscientização ambiental, lançando mão de programas como o Programa de Educação Ambiental (PEA) Campo Limpo, é uma das responsabilidades compartilhadas entre todos os elos do Sistema Campo Limpo. Por isso, apresentar para as crianças e suas famílias o que o mundo está discutindo sobre a importância da produção e do consumo conscientes (traduzidos, por exemplo, na proposta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU - em especial o ODS 12) concretiza o compromisso do inpEV e do Sistema para um futuro melhor para as próximas gerações.

 

Aqui, a educadora e consultora educacional Julia Tomchinsky, uma das profissionais envolvidas na criação do conteúdo e metodologia de aplicação do PEA, conta em detalhes o que professores, alunos e comunidade do entorno das centrais de recebimento do Sistema Campo Limpo podem esperar do PEA em 2019.

Qual a importância de iniciativas como o PEA para complementar a formação escolar?

Não há dúvidas que a Educação Ambiental é essencial para a formação de um cidadão crítico e responsável. O PEA tem disponibilizado às escolas um repertório de matérias que permite aos professores trabalhar, de forma criativa e com autonomia, uma série de conhecimentos, habilidades e atitudes fundamentais para que crianças e adolescentes reflitam sobre o contexto em que estão inseridos e, ao mesmo tempo, criem soluções para problemas identificados localmente. Outro aspecto diferencial do programa é o reconhecimento dos alunos como protagonistas e agentes de mobilização das famílias, de modo que sejam constituídas redes de parceria que articulem escola e comunidade do entorno por meio de ações de educação ambiental.

Como tem avaliado a trajetória do programa e a evolução para o formato atual?

Nos últimos anos o PEA elegeu o tema “Responsabilidade compartilhada na gestão dos resíduos sólidos” como eixo transversal para promover ações de educação ambiental nas escolas públicas. Ou seja, o foco do trabalho pedagógico é a corresponsabilização dos diferentes setores da sociedade em relação às questões ambientais que envolvem os resíduos sólidos. Em 2016, a proposta foi trabalhar esse tema sob a perspectiva da cidadania, trazendo, especificamente, o compromisso de cada um dos diversos atores da sociedade na gestão desses resíduos. Em 2017, o conteúdo focalizou o universo escolar, destacando o papel da escola na formação da consciência sobre direitos e responsabilidades ambientais. Em 2018, abordou a contribuição das famílias sobre o assunto, estimulando ações conjuntas entre o aluno e seus familiares, com apoio da escola. O plano deste ano é fortalecer esse macrotema, promovendo um recorte temático mais direcionado ao protagonismo do aluno no processo de destinação de embalagens vazias e resíduos sólidos na sociedade.

Como avalia o status atual do recebimento deste tipo de material? Quais os principais resultados?

Em 2019, seguimos com uma metodologia ativa e que reconhece o estudante como protagonista dos processos de ensino-aprendizagem. Também seguimos com a intenção de oferecer um repertório de atividades e materiais lúdicos que permitem ao professor desenvolver um itinerário formativo que responda às curiosidades dos estudantes e esteja alinhado ao currículo do Ensino Fundamental. A principal mudança metodológica é o alinhamento com o referencial da Base nacional Curricular Comum (BNCC) para o letramento científico de turmas dos anos iniciais dos anos primários. Os principais objetivos são: promover competências em vistas da responsabilidade compartilhada pela gestão de embalagens vazias e demais resíduos sólidos produzidos em ambientes urbanos e rurais; estimular mudanças atitudinais e o protagonismo desse público para a não geração, a redução, a reutilização, a reciclagem e o descarte adequado de embalagens vazias e outros resíduos sólidos. De uma forma mais ampla, o PEA procura mostrar às crianças e aos adolescentes os benefícios socioambientais da gestão adequada de embalagens vazias, bem como os impactos negativos para a saúde do planeta quando isso não acontece.

De que forma o material reflete o alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e à Base Nacional Curricular Comum?

Todo o conteúdo dos textos de referência para os professores e sugestões de práticas para sala de aula estão alinhados com o referencial metodológico da BNCC para o letramento científico de turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental e compreendem quatro dimensões:

 

a) definição de problemas, com atividades que estimulem a criança observar o mundo a sua volta; fazer perguntas; planejar investigações; propor hipóteses etc.;

 

b) levantamento, análise e representação de dados, com atividades que estimulem a criança a realizar investigações; coletar e analisar os dados levantados; representar esses dados usando sistemas diversos; desenvolver soluções etc.;

 

c) comunicação de suas descobertas, com atividades que estimulem a criança relatar descobertas por meio de linguagens variadas; apresentar resultados de forma sistemática; participar de discussões; considerar contra-argumentos etc.;

 

d) intervenção na realidade, com atividades que estimulem a criança a promover mudanças que melhorem a qualidade de vida pessoal, coletiva e socioambiental e avaliar sua eficácia etc.

 

Além disso, os materiais do programa contribuem para efetivar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, sobretudo o ODS 12, que nos desafia a assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis, de modo a reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso até 2030.

Que benefícios esse alinhamento representa para escolas e para alunos?

Esse alinhamento vai fortalecer o trabalho pedagógico que deve ser desenvolvido pelo professor no decorrer do ano letivo, já que há sinergia e diálogo entre as atividades sugeridas pelo PEA e as orientações educacionais sugeridas pela BNCC. Por exemplo, a partir do trabalho com os materiais do programa, será possível desenvolver competências específicas da disciplina de Ciências da Natureza e competências gerais da Educação Básica propostas pela BNCC, como “exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções com base nos conhecimentos das diferentes áreas”. No entanto, é importante frisar que a proposta do PEA é abordar a Educação Ambiental de forma interdisciplinar e crítica, e não de maneira fragmentada e compartimentalizada em disciplinas. A intenção é justamente convocar as diferentes áreas do conhecimento para “construir propostas coletivas para um consumo mais consciente e criar soluções tecnológicas para o descarte adequado e a reutilização ou reciclagem de materiais consumidos na escola e/ou na vida cotidiana.”, sendo essa uma habilidade recomenda pela BNCC para turmas de 4º e 5º anos.