ENTREVISTA

Uma carreira dedicada à destinação correta de embalagens

Foram mais de 26 anos dedicados à construção e à operação do Sistema Campo Limpo. Com uma trajetória que começou ainda no projeto-piloto do programa de logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas, Antonio Tadeu Guerra foi o primeiro gerente de central do Sistema, responsável pela unidade de Guariba, e mais tarde, tornou-se líder em Araraquara, ambas no estado de São Paulo. Ele agora está se aposentando, orgulhoso da contribuição que deu não apenas às unidades que gerenciou, mas a todo o Sistema, ao compartilhar suas experiências pioneiras com postos e centrais de todo o país. Nesta entrevista, ele demonstra sua satisfação com o trabalho realizado e otimismo em relação ao futuro do programa.

Antonio Tadeu Guerra foi o primeiro gerente de uma central do Sistema

Como começou sua história no Sistema Campo Limpo?

Comecei ainda no projeto-piloto do Sistema, em Guariba (SP), no final de 1992, como primeiro gerente da unidade de recebimento de embalagens vazias de defensivos agrícolas da Coplana - Cooperativa Agroindustrial. Éramos parte do grupo de estudo para implantação do Sistema – ao lado da Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo); Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal), na época Sindag; Andef (Associação Nacional da Defesa Vegetal), USP Jaboticabal; Cetesb, Comissão Ambiental do Senado Federal, entre outras entidades. Foi um esforço realizado na prática, conhecendo as necessidades no dia a dia, muito longe das mesas de escritório. Por isso, quando a legislação foi aprovada, em 2000, atendia tão bem às necessidades do setor, estabelecendo as responsabilidades compartilhadas entre todos os elos da cadeia agrícola.

Tenho orgulho de realmente ter saído a campo para realizar o trabalho inicial de conscientização (...) Conseguimos convencer as pessoas que daria certo, como realmente deu

Antonio Tadeu Guerra

Tenho orgulho de realmente ter saído a campo para realizar o trabalho inicial de conscientização, enfrentando até discussões mais ásperas numa fase inicial. Visitávamos as propriedades para mostrar a importância da devolução correta e da tríplice lavagem. O agricultor percebia que, além de cuidar do ambiente, a lavagem certa representava ganho por usar 100% do produto e ter melhor aplicação na lavoura. Mostrávamos que havia benefícios financeiros para o agricultor e para a saúde dele e da família. Conseguimos convencer as pessoas que daria certo, como realmente deu. Com o bom funcionamento, passamos a orientar outras instituições por este Brasil afora. Tudo o que foi construído é a base da Política Nacional de Resíduos Sólidos, o que é muito gratificante.

De que mais se orgulha em sua trajetória?

Em que acha que o trabalho te enriqueceu na vida pessoal?

Além de construir amizades sólidas, consegui ver um mundo ambientalmente correto. Sinto-me gratificado de ver o resultado de tudo o que começamos de maneira simples. Hoje está tudo modernizado e informatizado, atingindo o país inteiro. É um resultado que me enche de alegria e orgulho, e que vou carregar comigo.

Que espera do futuro do Sistema?

O que foi construído não tem volta. A conscientização deve crescer e o relacionamento com agricultores deve ser aprimorado. O Sistema sempre enxerga possibilidades de melhoria e a operação deve funcionar cada vez melhor. Espero que o exemplo se amplie para outros setores. Que o setor veterinário, óleo lubrificantes, óleo de soja, sacaria, domissaneantes e outros cumpram com urgência a lei de resíduos sólidos e utilizem o conhecimento do nosso Sistema.

 

 

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Foram mais de 26 anos dedicados à construção e à operação do Sistema Campo Limpo. Com uma trajetória que começou ainda no projeto-piloto do programa de logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas, Antonio Tadeu Guerra foi o primeiro gerente de central do Sistema, responsável pela unidade de Guariba, e mais tarde, tornou-se líder em Araraquara, ambas no estado de São Paulo. Ele agora está se aposentando, orgulhoso da contribuição que deu não apenas às unidades que gerenciou, mas a todo o Sistema, ao compartilhar suas experiências pioneiras com postos e centrais de todo o país. Nesta entrevista, ela demonstra sua satisfação com o trabalho realizado e otimismo em relação ao futuro do programa.

 

Aqui, a Aposentado Antonio Tadeu Guerra, uma das profissionais envolvidas na criação do conteúdo e metodologia de aplicação do PEA, conta em detalhes o que professores, alunos e comunidade do entorno das centrais de recebimento do Sistema Campo Limpo podem esperar do PEA em 2019.

Como começou sua história no Sistema Campo Limpo?

Comecei ainda no projeto-piloto do Sistema, em Guariba (SP), no final de 1992, como primeiro gerente da unidade de recebimento de embalagens vazias de defensivos agrícolas da Coplana - Cooperativa Agroindustrial. Éramos parte do grupo de estudo para implantação do Sistema – ao lado da Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo); Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal), na época Sindag; Andef (Associação Nacional da Defesa Vegetal), USP Jaboticabal; Cetesb, Comissão Ambiental do Senado Federal, entre outras entidades. Foi um esforço realizado na prática, conhecendo as necessidades no dia a dia, muito longe das mesas de escritório. Por isso, quando a legislação foi aprovada, em 2000, atendia tão bem às necessidades do setor, estabelecendo as responsabilidades compartilhadas entre todos os elos da cadeia agrícola.

De que mais se orgulha em sua trajetória?

Tenho orgulho de realmente ter saído a campo para realizar o trabalho inicial de conscientização, enfrentando até discussões mais ásperas numa fase inicial. Visitávamos as propriedades para mostrar a importância da devolução correta e da tríplice lavagem. O agricultor percebia que, além de cuidar do ambiente, a lavagem certa representava ganho por usar 100% do produto e ter melhor aplicação na lavoura. Mostrávamos que havia benefícios financeiros para o agricultor e para a saúde dele e da família. Conseguimos convencer as pessoas que daria certo, como realmente deu. Com o bom funcionamento, passamos a orientar outras instituições por este Brasil afora. Tudo o que foi construído é a base da Política Nacional de Resíduos Sólidos, o que é muito gratificante.

Como avalia o status atual do recebimento deste tipo de material? Quais os principais resultados?

Além de construir amizades sólidas, consegui ver um mundo ambientalmente correto. Sinto-me gratificado de ver o resultado de tudo o que começamos de maneira simples. Hoje está tudo modernizado e informatizado, atingindo o país inteiro. É um resultado que me enche de alegria e orgulho, e que vou carregar comigo.

Que espera do futuro do Sistema?

O que foi construído não tem volta. A conscientização deve crescer e o relacionamento com agricultores deve ser aprimorado. O Sistema sempre enxerga possibilidades de melhoria e a operação deve funcionar cada vez melhor. Espero que o exemplo se amplie para outros setores. Que o setor veterinário, óleo lubrificantes, óleo de soja, sacaria, domissaneantes e outros cumpram com urgência a lei de resíduos sólidos e utilizem o conhecimento do nosso Sistema.