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JULHO AGOSTO 2020

ENTREVISTA

A consolidação do recebimento de sobras pós-consumo de agrotóxicos

Trabalho de educação e conscientização é essencial para manter os campos livres desses resíduos

Cristina Seixas Graça, presidente da Abrampa (Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público do Meio Ambiente)

Cerca de cinco anos depois de as unidades de recebimento do Sistema Campo Limpo começarem a receber as sobras pós-consumo de agrotóxicos, regularmente fabricados e comercializados, esse tipo de devolução se consolida em todo o país. Em Minas Gerais, primeiro estado no Brasil que teve 100% das centrais aptas para o recebimento de sobras, a atividade caminha para a estabilização nas quantidades recebidas, como indica a engenheira agrônoma Marcela Ferreira Rocha Lage, fiscal Agropecuária do IMA. Mas ela destaca a importância de continuar investindo em ações de conscientização para que a iniciativa se mantenha, contribuindo para a conservação ambiental e a segurança e saúde do trabalhador rural.

 

 

 

Como avalia a evolução da destinação de sobras de agrotóxicos desde que começaram a ser recebidas pelo Sistema Campo Limpo?

Em Minas Gerais, em 2017, quando iniciamos o processo de recebimento de agrotóxicos impróprios nas centrais e nos postos, tivemos um grande volume de devolução de sobras, devido a um passivo que se encontrava nas propriedades rurais. Também contribuiu para essa maior quantidade inicial, o trabalho realizado conjuntamente entre IMA e inpEV, que incluiu a realização de um cronograma de recebimentos itinerantes. O objetivo era atender todo o Estado e divulgar perante os produtores essa nova modalidade de entrega. Agora, esse volume tende a se estabilizar e o volume de sobras de agrotóxicos no campo deve reduzir.

 

Engenheira Agrônoma Marcela Ferreira Rocha Lage, fiscal Agropecuária do IMA

A devolução das sobras e a correta destinação são de suma importância para que esses produtos não sejam um passivo de contaminação ambiental

Marcela Ferreira Rocha Lage

Que desafios precisam ser superados para garantir bons resultados?

É necessário o trabalho de orientação e fiscalização contínuas para a conscientização dos agricultores por meio de ações educativas, palestras e realização de eventos de recebimento itinerantes. Hoje, todos os postos e centrais de recebimento de embalagens vazias de Minas Gerais estão aptos para receberem os agrotóxicos impróprios. Durante a fiscalização em uma propriedade rural, quando se verifica a presença desses produtos, o agricultor recebe uma notificação do IMA para que realize a devolução. Os produtores aderiram bem a essa modalidade e, sempre que se fazem necessárias, as notificações estão sendo atendidas dentro do prazo estipulado.

 

Que cuidados o agricultor pode tomar para não adquirir agrotóxico que não possam ter as sobras devolvidas no Sistema Campo Limpo?

O agricultor deve adquirir agrotóxicos somente em estabelecimentos devidamente registrados no IMA para esse fim, tendo sido devidamente orientado por um profissional habilitado, que irá emitir o receituário agronômico com a indicação do produto a ser utilizado. O produto deve ser indicado em quantidade compatível com a área a ser aplicada e respeitando a orientação do fabricante no que diz respeito à dosagem. Para ser comercializado em Minas Gerais, o agrotóxico deve primeiramente ser registrado no Ministério da Agricultura e posteriormente ser cadastrado junto ao IMA, sendo desta forma um produto legalizado. Somente estes produtos, legalmente fabricados e comercializados, podem ser devolvidos nas unidades do Sistema Campo Limpo.

 

Como avalia a importância da devolução das sobras e do trabalho realizado para a correta destinação?

A devolução das sobras e a correta destinação são de suma importância para que esses produtos não sejam um passivo de contaminação ambiental, além de contribuir para a segurança e saúde do trabalhador rural. O grande volume de agrotóxicos impróprios devolvidos em 2017 quando começou esse trabalho é a certeza que essa ação veio para somar.

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